Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Folhas de papel

 

Folhas de papel, leitos alvos
onde poisa o olhar.
A impressão das memórias aguarda
em redemoinhos de palavras inquietas,
quais árvores ansiando a primavera.
Folhas brancas que se oferecem ao sonho,
sem medo, totalmente despidas…
 
Mas o poeta hesita.
Suspende o voo firmemente,
como se todos os sentimentos, cores,
desejos e amores tivessem cristalizado.
É que dizer, também dói…
 
30-03-2004
publicado por perdalascada às 21:34
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Domingo, 25 de Maio de 2008

Por breves instantes

 

Por breves instantes
fugazes como as estrelas cadentes,
o mar lembra-se de mim
e vem beijar-me as mãos.
  
25-07-2004
publicado por perdalascada às 19:51
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Sábado, 24 de Maio de 2008

Van Gogh

publicado por perdalascada às 21:12
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O galo da minha vizinha

publicado por perdalascada às 21:03
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Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Em tempo de floração

Em tempo de floração
abro os braços ao pólen
e sigo o rasto das borboletas

dou-me à inabalável certeza:

há-de haver sempre alegria
nem que seja apenas
o complexo voo dos pássaros

 

07-06-2001
 

publicado por perdalascada às 13:59
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Naquele dia tinha tempo - FIM

Naquele dia tinha tempo. Sentou-se frente ao espelho e resolveu regressar ao corpo abandonado.
Há muitos anos atrás despira-se dele como se o achasse um adereço inútil.
Quase se esquecera de que lhe pertencia e de que poderia usá-lo como lhe apetecesse.
Mas naquele tempo não lhe apetecia, ou então, não sabia como lhe apetecer. Sentia-se uma estranha para si própria.
Ao olhar para trás, poder-se-ia dizer que era alguém que estava sempre ausente.
Um vulto que aparecia de quando em vez e depois desaparecia sem deixar rasto.
Sentia-se assim. Um ser que não fazia diferença.
Era como se existisse apenas na imaginação de alguns que por vezes se apercebiam da sua imagem.
Talvez tivesse medo de ser, de se tornar demasiado viva para ela própria.
Queria sair daquele fim do mundo e ao mesmo tempo fechava todas as portas que ia encontrando pelo caminho.
Lá dentro, da alma e do corpo, sabia muitas coisas. Sabia que algures existia um lugar dentro de alguém onde era possível sonhar sem que houvesse sempre uma nuvem triste a pairar...

Era Outono e, em todos os tons de castanho dourado que se reflectiam no espelho, podia ver que o tinha encontrado.
Era como se de repente pudesse ver o cabelo a crescer, acompanhando atentamente todos os cambiantes daquele percurso tão seu.
Agora tinha quase tudo e quase nada.
Pelo rio abaixo, caminhando devagar, fora atirando pedaços de tristeza que guardara em tempos de maré vaza. De certo modo estava a libertar-se de uma pele que não lhe servia para poder mergulhar numa nova descoberta. Já podia olhar para ele e encontrar todos os pedacinhos de vida que perdera.

Naquele dia tinha tempo e continuou a olhar-se ao espelho. Chovia devagar e parecia que tudo se diluía em câmara lenta. Deixou-se voar até ao seu aconchego e, embora a chuva insistisse em lembrar-lhe Veneza naquela noite de nostalgia, não se sentiu só.
Estava quente e apetecia-lhe sorrir. Finalmente tinha sentido o seu corpo. Percebia agora o significado da pele, a emoção de percorrê-la com as mãos, muito lentamente, para preencher todos os espaços com a mesma ternura.
Sentia agora o desejo de envolvê-lo num abraço apertado e beijá-lo como se estivesse a morder o sol. Naquele dia tinha tempo e apetecia-lhe…
 

publicado por perdalascada às 13:36
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Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Naquele dia tinha tempo (continuação)

Naquele dia tinha tempo. Sentou-se frente ao espelho. Tinha cortado o cabelo e sentia que algo se tinha perdido. Talvez isto tivesse algum significado, talvez houvesse realmente uma certa relação entre o tamanho do cabelo e a felicidade. Mas talvez isto também fosse um grande disparate até porque não era a primeira vez que tinha cortado o cabelo.
O dele continuava a crescer. Era bom observá-lo e ver como lhe ficava bem, independentemente de lhe chamarem gadelhudo.
Continuava a gostar do seu jeito de menino/homem, da leveza dos seus passos, da delicadeza de seus gestos.
Observava-o mais do que ele imaginava mas simplesmente não o dizia. Gostava de observar em silêncio as coisas que aconteciam. Gostava de concluir que foram exactamente como ela pensara que iriam ser.
Um dia ele acordaria e diria exactamente aquilo que ela já sabia há algum tempo.
Ela sabia muito bem que era tudo uma questão de ritmo e, como nunca gostara que lhe adiantassem ou atrasassem o relógio, também não iria interferir no ritmo dele.
As coisas estavam bem assim, não era necessário adiantá-las ou atrasá-las. Tratava-se da liberdade dele, do tempo dele, e do seu sentir.
Para quê estragar a inocência daqueles instantes, aquele poder olhar de outro ângulo e ver todos os cambiantes?
Para quê desaprender as certezas jamais questionadas e regressar ao negro de cada manhã, ao tempo de mostrar as mágoas afogadas?
 

publicado por perdalascada às 22:01
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Naquele dia tinha tempo (continuação)

Naquele dia tinha tempo. Sentou-se frente ao espelho e observou o sentido daquele rosto cansado.
Tinha ouvido imensas coisas, tinha dito tantas coisas! Parecia que ela não percebia, que não via como ele estava a sofrer. Achou que de repente ela tinha envelhecido, que tinha ficado demasiado séria e que já não sabia brincar. Ela, por seu lado, aguardava pacientemente. Sabia que com estas coisas não se pode brincar e que qualquer palavra que lhe dissesse estaria errada. Não valia a pena sentar-se frente a ele e mostrar-lhe que estava ali, que as palavras que ele lhe dizia tinham retorno. Era como se o feitiço se tivesse virado contra o feiticeiro. Recusava-se a deitar a cabeça e a dizer que estava cansado, recusava-se a deitar-se e dormir um sono descansado. Recusava-se até a tocar-lhe a mão como antes fizera. Ela sentiu a falta disso, a falta desse tão pouco que lhe parecia tanto.
Para ele até podia ser que esse gesto fosse apenas mais uma forma de descansar a mão, uma simples questão de lugar. Para ela tinha o significado da ternura, o simples segurar-lhe a mão para que ela não caísse.
Naquele dia ficou triste, sentia que tinha perdido algo, um pequeno nada que poderia ser tudo. Não chorara naquele momento porque aprendera que há lágrimas que só podemos chorar para nós próprios. Aprendera a guardá-las por muito que isso a fizesse sentir-se perdida, e regressar ao canto sereno da loucura em tempo de navegar contra a idade. Calara-se. Não queria perturbá-lo ainda mais.
Amava-o da forma que ele era porque se reconhecia naquele jeito de ser, naquele constante tudo e nada querer.
De vez em quando tinham vários dias de alegria, momentos sem sombra de tristeza. A vida era mesmo assim, uma constante inconstância.
Se assim não fosse, se ela não entendesse todas estas coisas, porque ficaria pensativa?
Porque continuaria a esperar pacientemente que ele regressasse daquele mar de solidão?
 

publicado por perdalascada às 18:40
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Domingo, 18 de Maio de 2008

Para surpreender o Sol

Para surpreender o Sol, um pássaro
de vento bebeu o fogo do poente
e queimou o mar pela madrugada.

 

03-10-2006
 

publicado por perdalascada às 20:36
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Rapsódia

publicado por perdalascada às 13:35
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