Domingo, 18 de Maio de 2008

Bailarina

publicado por perdalascada às 12:48
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Luz

publicado por perdalascada às 12:46
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Naquele dia tinha tempo (continuação)

Naquele dia tinha tempo. Sentou-se frente ao espelho e olhou bem para dentro de si. Estava cansado e não tinha bem a certeza se era dele próprio ou dos outros, ou dela.
Sentia aquele “contentamento descontente”, aquele querer senti-la sempre, sem nunca deixar de sentir os outros. Sentia a solidão de uma forma que a fazia sentir-se mais uma pedra no caminho.
Ela apenas sabia que nem todas as pedras são necessariamente obstáculos e reconhecia aquele tipo de solidão, aquela nostalgia do passado, aquele desejo de voltar às conversas sem peso, às conversas que flúem numa espécie de comédia crescente.
Afinal, as noites não podem ser sempre sérias, não podem ser uma eterna discussão das nossas mentes, dos nossos códigos secretos. Não podem ser sempre os caminhos já tantas vezes percorridos, nem a confissão dos dias mais sóbrios e sofridos, o choro, e as lamentações inválidas.
Ela compreendia isto, já passara por ali, já desejara guardar esses momentos inaugurados, para depois os libertar em bandos selvagens, dando à vida um sentido menos sofrido.
Agora desejava ser o roteiro de uma longa viagem, o cavaleiro de todos os desejos ousados, só para o libertar daquele eterno sentir solitário.
Tinha chegado ali, num dia qualquer. Tinha gostado e fora ficando. Reconhecera o terreno acidentado, o constante desejo de mudança, a insatisfação de uma alma que procura fora de si algo que lhe diga que não está só, que as noites podem ser uma aventura fantástica, um filme surrealista...
Era como se subitamente tivesse acordado e todas as coisas que faziam parte dele, tivessem desaparecido.
Era como se subitamente tivesse vontade de rir e o riso não viesse porque faltava alguém, faltava o eco dos outros.
 

publicado por perdalascada às 10:38
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Sábado, 17 de Maio de 2008

Naquele dia tinha tempo (continuação)

Naquele dia tinha tempo. Sentou-se frente ao espelho e achou que o seu cabelo estava a crescer muito devagar. Talvez isto tivesse algum significado. Era a primeira vez que se dispunha a deixar crescer o cabelo.
Inconscientemente relacionava o ritmo do seu crescimento com o ritmo da sua relação. Era lentamente gostosa, permitindo ver todos os pormenores e sentir todos os aromas que jamais apagará da memória. Era como envelhecer em beleza, apreciando sem drama qualquer nova ruga. E sabia bem que estava a construir uma história. Sabia que o amava com a tranquilidade de uma casa de paredes brancas onde há sempre um pássaro a voar, a música da paixão mais apetecida, o mistério do perfume dos lírios, o riso fresco do verde da alegria...
Amava-o conscientemente e talvez a consciência desse amor pudesse fazer com que os dias mais tristes que certamente lhe bateriam à porta, não fossem tão pesados como outrora.
E embora a história ainda fosse uma criança em fecundo acto de imaginação, e embora todos os finais fossem possíveis, agora já seria mais fácil escrever histórias felizes....
 

publicado por perdalascada às 13:05
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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Naquele dia tinha tempo (continuação)

Naquele dia tinha tempo. Sentou-se frente ao espelho e viu claramente as palavras que lhe disseram. Quando as ouvira ficara inerte, impávida e serena. Como reagir perante a revelação que tantas vezes sonhara? Já quase não se lembrava desse sonho, já quase acreditava que era impossível e que se algum dia acontecesse seria por engano. Não, não tinha percebido bem e provavelmente não estavam a falar com ela. O que fazer? Apetecia-lhe abraçá-lo, responder-lhe da mesma forma. Mas não. Ficou calada e quieta. Era algo que já sentia havia muito tempo. Creio que ele percebera isso. Receava que, se falasse naquele momento, o encanto se quebraria. Nunca amara assim na realidade, mas no seu íntimo sabia que só poderia ser daquela forma. Tantas vezes errara, tantas vezes se quisera diferente, escala de vento libertino, estrela de brilho cristalino, água de brilho feminino. Tantas vezes acordara igual, misto de sonho e sal, tempero de bem e mal...

Desta vez parecia diferente. Apetecia-lhe abraçar um rio e entregar-se ao mar. Se pudesse dizer as palavras indizíveis! Se pudesse ver o filme da nuvem dançante... Ah! Se pudesse chegar mais longe do que alguma vez soubera!

 

 

 

publicado por perdalascada às 19:45
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Naquele dia tinha tempo (continuação)

 

Naquele dia tinha tempo. Sentou-se frente ao espelho e observou o dia anterior.
Tinham-lhe dito imensas coisas. Velhas cantigas com que se embalara durante anos. Sabia-as de cor mas recusava-se a vê-las. Talvez não gostasse de deitar-se sempre com ela. Talvez estivesse demasiado cansada de todos os seus labirintos, de todas as suas formas. De vez em quando um pouco de alegria, vários dias sentidos, algumas noites tranquilas. De vez em quando, uma poesia, feliz realização da alma. Quase sempre, aquela nostalgia, quase sempre, aqueles passos perdidos.
Se olhasse bem descobriria que estava ali, que tinha tudo para ser feliz...
Que mais poderia desejar?
Um amor constante, sem quebras de intensidade?
Uma casa onde soubesse sempre onde encontrar a tesoura e as agulhas?
Será que isso poderia dar-lhe o tal final feliz?
Por quanto tempo? Até a tristeza doer demais e voltar a recolher-se no leito da saudade?
Sabia bem que nenhuma destas coisas poderia fazê-la feliz. Sabia que todas as pequenas tentativas e investimentos que fizera ao longo dos anos, tinham sido apenas grandes desilusões. Mas a culpa era dela. Acreditara demais. Pintara os dias ao sol com pinceladas de vida quente. Ao sabor do caleidoscópio, construíra as telas de um mundo diferente. E por acreditar nele com a sensibilidade da alma, concedera demasiados benefícios da dúvida. A única coisa que a salvou de um abismo ainda maior, foi o facto de não se ter deixado magoar fisicamente. Já tivera mais certezas quanto a isto mas, de qualquer modo, o que está feito está feito. Neste ponto não pode voltar atrás.
publicado por perdalascada às 19:26
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Naquele dia tinha tempo

A partir de hoje publicarei algo que escrevi há muito tempo.

É uma espécie de estória que irei publicando diariamente.

 

Naquele dia tinha tempo. Sentou-se frente ao espelho e descobriu outra pessoa.
Não tinha bem a certeza se era ela própria ou se o oposto da sua imagem.
De qualquer forma reconhecia os traços que só nós próprios sabemos.
Tinha chegado ali, num dia qualquer. Talvez num breve momento de encanto.
Foi como se subitamente tivesse avistado um lugar para se abrigar da tempestade com o sol de outro sentir.
No coração depositou o espanto das pequenas verdades. Da verdade de uma tristeza demasiado pesada para o seu corpo frágil, da verdade de nunca ter tido um final feliz para todas as histórias que vivera, da verdade de todas as coisas parecerem fugir-lhe das mãos quando pensava que daquela vez seria diferente.
Há quem diga que temos de lutar por aquilo que queremos, há quem diga que as coisas só acontecem se formos ao encontro delas e também há quem diga que tudo é possível. Até aqui ela compreendia. Nunca tivera medo de lutar até já não poder mais. Mas nessas lutas esqueceu-se de algo que talvez tenha sido o entrave da sua vida. Esqueceu-se dela, esqueceu-se de que nessa luta em que tanto dava, recebia... o quê? E, como já alguém se interrogou vezes sem conta:
“Para quê?”
Sim, para quê?
Para que ninguém pudesse dizer-lhe que é egoísta? Para sentir o que os outros sentem?
Tantas perguntas naquela mão tão pequena! Um leque de questões para meditar quem se achar com coragem para desbravar floresta tão insólita.
Tantas perguntas sem resposta, tantos dias sem rumo. Tantas súplicas ignoradas!
 
(continua)
publicado por perdalascada às 20:15
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Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Recantos do meu jardim III

publicado por perdalascada às 21:56
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Recantos do meu jardim II

publicado por perdalascada às 20:22
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Domingo, 11 de Maio de 2008

Recantos do meu jardim

 

 

publicado por perdalascada às 22:11
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